COLABORADORES
DE DEUS |
"Eu
não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. .. As palavras que vos digo,
não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas
obras... Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não será
verdadeiro. .. O Pai que me enviou, esse dá testemunho de mim".
(Evangelho).
Deus está
em nós. "N'Ele vivemos e nos movemos, porque d'Ele somos geração".
Não
é difícil ao homem aceitar este postulado e compreender que, assim
como Deus está n'Ele, está também em seus semelhantes.
Daí a razão do mandamento fundamental: Amarás a Deus de
todo o teu coração, de toda a tua força, de todo o teu
entendimento e de toda a tua alma; e ao próximo como a ti mesmo.
Mas o homem, em geral, deturpa esse preceito, amando-se em primeiro lugar e
acima de tudo, com exclusividade, isolando-se do Pai celestial e dos seus irmãos.
Esse sentimento concentrado em si próprio, com menosprezo de Deus e do
próximo, responde por todos os erros e delitos que ele pratica.
A
egolatria compromete e desvirtua seus tentames, mesmo aqueles que parecem mais
belos e altruístas. Enfunadas as velas da jactância, o homem desvia
o seu barco do roteiro, vagando desarvorado, em águas revoltas de mares
tempestuosos.
A condição indispensável, para que a obra humana seja realmente
boa, é ter sido feita à luz do amor, isto é, na presença
de Deus, e com a sua mesma cooperação. Tais foram aquelas praticadas
por Jesus, segundo se depreende destes dizeres seus: Eu não posso de
mim mesmo fazer coisa alguma: o Pai, que permanece em mim, faz as obras.
O homem deve, portanto, colocar-se invariavelmente na condição
de colaborador de Deus. Só assim suas obras serão de eficiência
para si próprio e para a humanidade.
Ciente
e consciente de que está agindo sob o poder divino, o homem será
naturalmente simples e humilde, jamais consentindo que o orgulho domine o seu
coração, por maiores que sejam as suas realizações.
Não basta, pois, produzir; é preciso imprimir às obras
o cunho de espiritualidade, o que constituirá, por certo, a garantia
da sua estabilidade e da sua frutificação. As obras do Espírito
visam, acima de tudo, a renovação do Espírito.
As
obras da carne falam ao mundo e às suas filáucias, tendo por objetivos
aqueles que as conceberam, ávidos de aplausos retumbantes, que lhes lisonjeiem
a vaidade. Erguem-se sobre a areia movediça dos testemunhos terrenos,
nos quais se louvam, enquanto que, das obras do Espírito, como observa
o Mestre, é Deus mesmo que dará, em devido tempo, o seu testemunho.
Tal a razão por que os homens vêm de há muito lutando, em
vão, por solucionar os velhos problemas sociais do pauperismo, da enfermidade,
do vício e do crime. Suas iniciativas falham sempre, porque têm
suas raízes mergulhadas no materialismo cego e presunçoso.
Quando
eles se convencerem de que todos os males que os afetam têm origem no
Espírito e só pelo Espírito podem ser vencidos, começarão
a agir como instrumentos de Deus, vendo, então com surpresa, desvanecerem-se
as nuvens e caírem as barreiras de dificuldades, coroando-se de êxito
as suas tentativas, no sentido de expurgar a sociedade dos flagelos que a perseguem.
Só na qualidade de colaboradores do Pai celestial, os homens realizarão
obras fecundas, sólidas e estáveis. Enquanto porfiarem ao influxo
do seu personalismo, estarão, como as Danaides da mitologia grega, enchendo
dágua um tonel sem fundo.
Vinícius