IGUALDADE |
A
natureza, em suas manifestações eloquentes e inequívocas,
ensina que todos os homens são iguais. Todos os que fazem parte da humanidade
estão, de modo geral, sob o imperativo das leis que correspondem ao seu
estado atual de evolução.
A necessidade de progredir e melhorar, ressarcindo o passado
e aparando as arestas do caráter, explica a razão de ser da encarnação
e reencarnação das almas neste orbe, onde ora nos encontramos.
A
diferença entre os que aqui habitam é, exclusiva e unicamente,
aquela que resulta do grau evolutivo de cada um, considerando todavia, que todos
ainda se acham na dependência das aprendizagens relativas a este plano.
A natureza, sujeitando os homens às mesmas necessidades e à contingência
iniludível do nascimento e da morte, estabelece e assinala, de forma
precisa e categórica, a igualdade humana.
O processo mediante o qual o homem surge no cenário terreno é
o mesmo, não só no que respeita à sua espécie, como
é, a seu turno, idêntico àquele que vigora em todo o reino
animal. Os fenômenos fisiológicos que precedem e sucedem à
encarnação são um só, envolvendo todos os seres
desta esfera.
Concepção, período gestatório, nascimento e desenvolvimento, através da nutrição e assimilação. Seguem-se os trâmites naturais que se desenrolam do berço ao túmulo, obedecendo ao critério desa sentença de Kardec: Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredindo sempre: tal é a lei.
Nada obstante, verifica-se na sociedade terrena o uso inveterado das seleções e dos privilégios, dividindo-se essa sociedade em classes, grupos e partidos, dentro dos quais surgem indivíduos que, à força de artifícios e paródias, pretendem, em vão, sobrepor-se às conjunturas a que se acham submetidos todos os mortais.
O
prurido de supremacia e de exceções, fruto da vaidade, é,
podemos dizer, o sentimento predominante em nosso meio. Daí as hierarquias,
o títulos, as insígnias, as divisas, os distintivos e até
as indumentárias especializadas.
No seio das próprias religiões, cujo objetivo deveria ser unir
e congraçar a família humana, apagando as causas de separação,
é, infelizmente, onde mais prolifera o vírus da separatividade.
Os dogmas irredutíveis, em que se fundam, constituem verdadeiras pedras
de tropeço na obra da confraternização dos Espíritos.
Os
prepostos de deuses particularistas distribuem graças e favores aos que
se submetem às suas injunções, e anátemas àqueles
que querem digerir o pão da alma com a própria razão, como
digerem, com o próprio estômago, o pão do corpo.
Certa vez, Jesus surpreendeu os apóstolos discutindo entre si qual deles
seria o maior. Tomando, então, o excelso Mestre, ao acaso, uma criança,
colocou-a no meio deles, e disse: Aquele que receber esta criança, em
meu nome, a mim me recebe; e quem me recebe não recebe a mim, mas ao
Pai que me enviou.
Aquele,
pois, dentre vós, que quiser ser grande, faça-se o servo de todos,
porque o próprio Filho do homem não veio a este mundo para ser
servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos.
Neste passo, Jesus, deitou abaixo toda e qualquer pretensão de exclusividade
no que respeita à sua representação no mundo. Apesar, porém,
da clareza meridiana dessa advertência, ministrada mediante exemplificação
tão positiva, ainda hoje, 20 séculos decorridos, os príncipes
da igreja totalitária se obstinam em declarar-se os únicos e exclusivos
representantes do Cristo de Deus!
A Terceira Revelação, proclamando a unidade do destino e a sujeição
de todos às leis que regem a marcha evolutiva do Espírito, consoante
a justiça do aforismo evangélico - A CADA UM SERÁ DADO
SEGUNDO AS SUAS OBRAS- destrói o fermento das vaidades que desnorteiam
e transviam os homens do verdadeiro senso da vida.
Ensinando, outrossim, que a origem dos seres é uma só e única, passando todos eles pelas etapas que unem as classes inferiores às superiores, como elos da mesma corrente, lança no coração do homem o germe da humildade, virtude esta sem a qual ninguém pode compreender nem perceber a lei soberana da IGUALDADE, que faz, não só da humanidade terrena, como de todas as humanidades que habitam as infinitas moradas da casa do Pai, uma só e única família.
Vinícius