PARA
QUEM HAVEMOS DE IR? |
"Por isso disse Jesus aos doze: Quereis vós outros também retirar-vos? Respondeu Simão Pedro: Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo de Deus".
É
oportuno recordarmos nesta época de transição e, por isso,
de confusões por que o mundo passa, o episódio acima citado. Jesus
se havia referido à sua qualidade de enviado de Deus; apresentara-se,
figuradamente, como sendo o pão que desceu do céu para alimentar
e nutrir as almas, pois que estas, como o corpo, devem ser fortalecidas no conhecimento
da verdade que emana da divina revelação, nele mesmo personalificada.
A multidão, bem como os próprios discípulos, não
apanhando o sentido espiritual dos seus dizeres, se escandalizaram e o abandonaram.
Foi quando o Mestre, vendo-se acompanhado apenas dos doze, lhes dirigiu o seguinte
cartel de desafio: Quereis vós outros, também retirar-vos? Retruca
então Pedro, impelido pelas forças celestiais: Para quem havemos
nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós temos crido
e conhecido que tu és o Cristo de Deus.
Transviada tem andado a humanidade. Esquecida e desdenhada a doutrina de amor
e de justiça exemplificada pelo Cordeiro de Deus, os homens se precipitaram
no abismo de luta cruel e bárbara, transformando a Terra em arena onde
um bando de feras se entredevoram, embriagadas com o cheiro do próprio
sangue que fazem jorrar em borbotões da carne espostejada. Interesses
subalternos de várias modalidades se entrechocam. Reina a confusão,
impera o caos.
Urge suster o assomo de loucura de que os homens se acham possuídos.
Eles são impotentes para conter a onda de destruição que
desencadearam, a qual vem reduzindo a escombros os expoentes materiais de sua
decantada civilização genuinamente materialista. Não há
forças capazes de suster a torrente de lavas vomitadas pela cratera incendida
das paixões egoístas, que até aqui traçaram o roteiro
e elaboraram o programa da política internacional.
As vãs filosofias e os credos imperialistas nada podem neste transe angustioso
e aflitivo, visto como foi mesmo sob os seus auspcios que a tormenta desencadeou.
Cristianizar o mundo: eis a salvação. Tudo o mais será
inócuo.
Os fatos, em sua eloquência irretorquível, demonstram que só
a doutrina e a ética cristãs, revividas em espírito e verdade
pela Terceira Revelação, podem solucionar os problemas sociais
neste orbe, afastando, de vez, dos seus horizontes o negro abutre, que é
a guerra.
Ponham-se em prática os veros princípios Cristãos de solidariedade e de justiça, de liberdade e de responsabilidade, e a paz virá naturalmente. O Cristo de Deus é a encarnação da Lei que rege os destinos humanos. Para revelá-la e exemplificá-la veio Ele ao mundo.
Nenhum outro jamais apareceu no cenário terreno revestido das suas credenciais. Só o seu nascimento foi predito séculos antes e anunciado por um anjo de luz nas vésperas de ser consumado. Só o seu nascimento alvoroçou as milícias celestes que entoaram em coro: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade.
Só
Jesus foi investido de autoridade pelas vozes do céu, proclamando-o Enviado
de Deus: Este é o meu Filho amado em quem me comprazo: escutai-o.
Não consta dos anais da história humana outra pessoa que viesse
acompanhada de semelhantes credenciais. Quem o apresentou não foram as
autoridades nem as escolas terrenas: foram as potestades divinas, entrando em
comunhão com os homens.
Os dias tormentosos que ora atravessamos nos trazem à mente e ao coração as palavras do velho Pescador: "Para quem havemos de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo de Deus".
É desta CRENÇA e deste CONHECIMENTO que os homens precisam para solucionar os seus magnos problemas.
Vinícius