SUBLIMIDADE |
Às
minhas filhas: Martha, Elisa, Almira e Maria Amélia.
Haverá
algo mais maravilhoso que um pôr-de-sol, tingindo o horizonte de vivos
e variegados coloridos?
Haverá alguma coisa mais encantadora que uma noite de luar; plácida
e serena, calma e doce, envolvendo a terra em seu manto de alumínio?
Haverá quadro mais imponente que o oceano em suas águas levemente
crispadas; ondulando deleitosas, através de brando marulhar?
Haverá painel mais admirável que a mata virgem, ostentando árvores
seculares através de cuja ramada coa-se, a custo, a luz solar, cujo calor
não basta para secar a umidade que refresca o solo acamado de folhas
e musgos?
Haverá cena mais cheia de suavidade que aquela proporcionada pelo lago
tranquilo, de águas azuladas, sempre mansas, arfando de leve ao sopro
da brisa?
Haverá, acaso, expressão de beleza maior que a das flores, dispostas
com arte, num conjunto mesclado de verde, trescalando viço, frescor e
aroma?
Haverá graça comparável à do passaredo garrido e
travesso, enchendo o ambiente de vida e de alegria com seus gorjeios e trinados?
Haverá espetáculo mais majestoso e arrebatador que um céu
escuro, recamado de estrelas, tremeluzindo e cintilando na solidão profunda
que se estende, imensurável, sobre as nossas cabeças?
Haverá mais solene representação que aquela que nos oferece
a aurora, espantando as derradeiras sombras da noite com as primeiras claridades
do dia que desponta?
Haverá, enfim, impressão mais digna e mais nobre, mais delicada
e mais tocante, mais sensibilizadora e mais emotiva que aquela que nos proporciona
a atitude do santo que ora, do justo que defende os seus algozes, e da virtude
ignorada que se dá em holocausto pela felicidade de outrem?
Sim — existe algo no mundo mais maravilhoso que o pôr-do-sol; mais
encantador que a noite de luar; mais imponente que o oceano; mais admirável
que as árvores seculares; mais garrido que os pássaros; mais majestoso
e arrebatador que o céu recamado de estrelas; mais belo que as flores;
mais solene que a aurora:
É a criança sorrindo no regaço materno,
batendo palmas em sinal de aplauso ao doce chamamento de Jesus: Deixai vir a
mim os pequeninos!
Vinícius